Estados Unidos vão permitir que a Ucrânia fabrique mísseis Patriot

Estados Unidos vão permitir que a Ucrânia fabrique mísseis Patriot

No fim de uma reunião com os aliados da NATO e o presidente ucraniano, Donald Trump admitiu que vai permitir que Kiev fabrique mísseis Patriot, essenciais para intercetar mísseis balísticos russos que atingem a Ucrânia.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Jonathan Ernst - Reuters

Os chefes de Estado e de Governo da NATO reiteraram o “apoio inabalável” à Ucrânia e anunciaram um financiamento de 70 mil milhões de euros este ano, comprometendo-se a manter níveis “pelo menos equivalentes” em 2027.

“A Ucrânia contribui para a segurança transatlântica e os aliados permanecem unidos no nosso compromisso inabalável para a Ucrânia nos seus esforços para defender a sua liberdade, soberania e integridade territorial”, lê-se na declaração final da cimeira da NATO, que termina em Ancara (Turquia), esta quarta-feira, e reuniu os líderes dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica.

Os líderes referem que os aliados europeus e o Canadá são quem está a “financiar a grande maioria da assistência em matéria de segurança prestada à Ucrânia por via bilateral e multilateral” e salientam que o apoio “deve ser equitativo, previsível e sustentável a longo prazo”.

“Para 2026, os Aliados comprometem-se a disponibilizar 70 mil milhões de euros em equipamento militar, assistência e formação para a Ucrânia e reafirmam os seus compromissos soberanos de manter, pelo menos, níveis equivalentes de apoio em 2027”, indicam no documento final da reunião de alto nível, saudando ainda o empréstimo da União Europeia (UE) de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.

Já Donald Trump considerou que o encontro dos aliados da Aliança Atlântica foi "uma grande reunião".

"Muito amor naquela sala, muita unidade”, disse o presidente norte-americano, numa conferência de imprensa no final do encontro de líderes.

“E achámos que esta seria uma boa altura para eu e o presidente Zelensky nos encontrarmos e ver o que é que podemos fazer.
Nós também temos vindo a desenvolver uma boa relação, por muito que custe a acreditar”, acrescentou.

Sentado lado a lado com Volodymyr Zelensky, Trump dirigiu-se ao homólogo ucraniano: “Isto é só o princípio. O seu país tem muito futuro. É uma terra excelente, de muitos ativos, é um povo excelente"

"É de facto um grande país, com um grande presidente. Tem o meu apoio, tem feito um grande trabalho".

Volodymyr Zelensky começou por agradecer para reunião e, mais uma vez, pelo "apoio dos Estados Unidos e da NATO".

"Concordo consigo. Temos muito para conversar. Estamos muito agradecidos pelo programa de apoio e queremos discutir consigo alguns dos detalhes".

Para Zelensky, a "questão das negociações é importante".

"Tenho a certeza que o senhor fará tudo o que for necessário para acabar com esta guerra".
No diálogo entre os dois líderes, Trump ainda garantiu a Zelensky que os EUA vão dar "uma licença para fabricar Patriots". 

"Vamos ensiná-los a fabricá-los", disse Trump, afirmando que os sistemas Patriot "são uma arma defensiva" ao alcance de poucos países, mas prevendo que a Ucrânia o conseguirá rapidamente.

"Ainda não informámos a empresa, mas isso será resolvido", acrescentou.

Na opinião de Trump, os ataques aéreos ucranianos contra alvos russos, nomeadamente infraestrutura de energia, podiam "ajudar" a mudar o rumo da guerra.

A Ucrânia tem pressionado os aliados há semanas para que aumentem as entregas de mísseis Patriot de fabricação norte-americana. Mas a guerra no Médio Oriente tem esgotado os stocks.

“Dessa forma, vocês não podem reclamar que não estamos a fornecer o suficiente”, acrescentou.
NATO está "mais unida do que nunca"
O secretário-geral da NATO concordou com as palavras de Donald Trump e considerou que a cimeira da organização foi "tremendamente bem-sucedida". Mark Rutte destacou ainda um "grande sentido de unidade" e defendeu que "a liderança" do presidente norte-americano está a fortalecer a Aliança Atlântica. 

"Houve um grande sentido de unidade. Os aliados acolheram com grande entusiasmo a liderança do Presidente [Donald] Trump, que está a transformar esta Aliança e a torná-la mais forte", disse Rutte na mesma conferência de imprensa após a conclusão da cimeira de Ancara, na Turquia.

"Todos sentimos que a Aliança está mais unida do que nunca", argumentou, o que justificou com o facto de os aliados debaterem os assuntos, nomeadamente perante críticas insistentes do líder norte-americano aos parceiros europeus e ao Canadá por investirem menos que os Estados Unidos.
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